A receita das exportações do complexo soja do Paraná alcançou US$ 5,76 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, segundo boletim conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná. O resultado representa avanço de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior e coloca em evidência o peso da cadeia da soja no comércio exterior paranaense.
O complexo reúne três produtos: soja em grão, farelo e óleo. No período analisado, os embarques somaram 12,79 milhões de toneladas, volume 3% superior ao registrado nos nove primeiros meses de 2025. A diferença entre o crescimento físico das cargas e o avanço da receita mostra que o faturamento aumentou em ritmo mais acelerado do que a quantidade exportada.
Os dados foram apresentados pelo boletim da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, elaborado pelo Deral. A publicação também detalha a composição dos embarques, os destinos das mercadorias paranaenses e o desempenho do Brasil no mercado internacional.
Soja em grão lidera composição dos embarques
A soja em grão respondeu por 71% do volume exportado pelo Paraná entre janeiro e setembro. O farelo representou 24% das vendas externas, enquanto o óleo de soja correspondeu a 5%. A divisão indica que os embarques incluem tanto a matéria-prima quanto produtos processados da cadeia agroindustrial.
O farelo é obtido após o processamento dos grãos e tem utilização principalmente na alimentação animal. Já o óleo é outro produto derivado da soja comercializado no exterior. O boletim, contudo, não apresenta uma abertura individual da receita por produto, nem atribui o crescimento do faturamento a um fator específico. Por isso, os números permitem comparar volume e receita, mas não detalhar isoladamente o desempenho financeiro de cada item.
Para o Paraná, a presença de grão, farelo e óleo na pauta de exportações amplia a leitura sobre a cadeia produtiva. Em vez de considerar apenas o embarque da commodity em sua forma original, o resultado inclui diferentes etapas de transformação associadas à soja. A participação conjunta dos derivados representa 29% do volume exportado no período.
China compra mais da metade do complexo soja paranaense
A China foi o principal destino das exportações do complexo soja do Paraná, concentrando 58% das compras realizadas entre janeiro e setembro. O país asiático ficou à frente dos demais mercados e manteve uma participação majoritária na pauta paranaense.
O Irã apareceu na segunda posição, com pouco mais de 8% das compras. Ao todo, o Paraná vendeu soja, farelo e óleo para 24 países no período. A quantidade de destinos mostra que, embora a China tenha forte predominância, os produtos paranaenses também alcançaram outros mercados internacionais.
A concentração das compras chinesas é um dos principais elementos do resultado estadual. Como mais da metade das exportações teve o país asiático como destino, o desempenho do mercado chinês tem relevância direta para a movimentação comercial do complexo soja paranaense. O boletim, porém, não informa contratos individuais, preços praticados por país ou perspectivas para os próximos meses.
Desempenho do Paraná acompanha avanço brasileiro
No cenário nacional, as exportações do complexo soja chegaram a 121,58 milhões de toneladas nos nove primeiros meses de 2026. O volume representa crescimento de 8% na comparação com o mesmo intervalo de 2025. A receita brasileira alcançou US$ 52,17 bilhões, alta de 17% no período.
Assim como no Paraná, o faturamento nacional avançou acima do volume exportado. No estado, a receita cresceu 13%, diante de uma expansão de 3% nas toneladas embarcadas. No Brasil, a diferença também aparece: o volume subiu 8%, enquanto o valor das vendas aumentou 17%.
Os números estaduais fazem parte de um mercado brasileiro de grande escala, mas o Paraná tem características próprias na composição da pauta e na distribuição dos destinos. A participação de 71% da soja em grão, somada às parcelas de farelo e óleo, ajuda a dimensionar como a produção paranaense chega ao comércio internacional.
O boletim do Deral apresenta um retrato das exportações acumuladas até setembro de 2026. Os dados reúnem os embarques realizados no período e servem como referência para acompanhar o comportamento do complexo soja paranaense ao longo do ano, sem antecipar resultados para os meses seguintes.
