A crescente demanda por formas concretas de compensação de emissões de gases de efeito estufa por parte de empresas que assumiram compromissos públicos de neutralidade climática criou, nos últimos anos, um mercado de créditos de carbono com potencial de impacto relevante sobre o agronegócio brasileiro. Práticas agrícolas sustentáveis, como o plantio direto, a recuperação de pastagens degradadas e o reflorestamento de áreas legalmente obrigatórias, são capazes de gerar créditos que podem ser comercializados com compradores corporativos dispostos a pagar pelo sequestro de carbono realizado no campo. Wander Aguilera Almeida, facilitador de negócios no setor agrícola, observa esse mercado com atenção crescente, reconhecendo que as oportunidades nele presentes ainda são pouco conhecidas pela maior parte dos produtores rurais brasileiros.
O que é um crédito de carbono e como ele é gerado no campo?
Um crédito de carbono representa a remoção ou o não lançamento de uma tonelada de dióxido de carbono equivalente na atmosfera, gerado por práticas que ou sequestram carbono do ambiente ou evitam emissões que ocorreriam na ausência dessas práticas. No contexto do agronegócio, os créditos de carbono podem ser gerados por diferentes tipos de iniciativas, incluindo a adoção do sistema de plantio direto, que mantém matéria orgânica no solo; a recuperação de pastagens degradadas, que aumenta a capacidade de sequestro de carbono do sistema solo-planta; e a preservação de vegetação nativa além dos limites legalmente exigidos. A quantificação desses créditos exige metodologias certificadas por organismos reconhecidos internacionalmente, processo que costuma envolver a coleta de dados sobre a situação de partida da área.
Conforme ressalta Wander Aguilera Almeida, o acesso ao mercado de carbono não é igualmente simples para todos os perfis de produtores, já que os custos de certificação e monitoramento associados à geração de créditos tendem a ser mais facilmente absorvidos por propriedades de maior escala, enquanto produtores de menor porte frequentemente precisam se organizar coletivamente para tornar a participação economicamente viável. Iniciativas de agregação de produtores em projetos coletivos de crédito de carbono têm avançado como alternativa para ampliar o acesso de propriedades menores a esse mercado, permitindo que os custos fixos de certificação sejam divididos entre um número maior de participantes.
Quais práticas agrícolas são elegíveis para a geração de créditos de carbono?
A extensão das áreas agriculturáveis e de pastagem do Brasil representa um potencial de sequestro de carbono que coloca o país entre os maiores candidatos a fornecedores de créditos no mercado global, especialmente considerando que grande parte dessas áreas ainda opera com práticas de manejo menos eficientes do ponto de vista do sequestro de carbono e da conservação de matéria orgânica no solo.

Nesse contexto, Wander Aguilera Almeida alude ao fato de que a transição para sistemas mais sustentáveis de produção, como a integração lavoura-pecuária-floresta, o plantio direto consolidado e a recuperação de áreas degradadas, representa oportunidade simultânea de melhora na produtividade agronômica e de geração de créditos de carbono com valor comercial crescente. Estimar o potencial específico de cada propriedade para geração de créditos exige análise técnica individualizada, mas o potencial agregado do agronegócio brasileiro nessa dimensão é reconhecidamente expressivo por especialistas que monitoram o mercado global de carbono.
Que riscos e limitações o mercado de carbono apresenta para o produtor?
Apesar do potencial promissor, o mercado de carbono apresenta riscos e limitações que produtores interessados em participar precisam compreender antes de tomar qualquer decisão de compromisso. A volatilidade do preço dos créditos, que pode variar significativamente conforme o cenário regulatório internacional e o apetite das empresas compradoras, explica Wander Aguilera Almeida, representa uma incerteza que torna difícil planejar receitas futuras com base nessa fonte de forma muito precisa. A qualidade e a integridade dos projetos de carbono também têm sido objeto de questionamentos crescentes no mercado internacional, com casos de créditos que não correspondem ao sequestro efetivo prometido, o que tende a intensificar a exigência por verificação e certificação mais rigorosas ao longo dos próximos anos.
Como o produtor rural pode se posicionar diante de um mercado em formação?
Wander Aguilera Almeida reconhece que o mercado de carbono associado ao agronegócio ainda está em fase de formação no Brasil, com regras, metodologias e estruturas de governança que continuam evoluindo de forma acelerada, tornando o acompanhamento próximo das mudanças em curso uma necessidade para qualquer produtor que considere o tema como parte de sua estratégia de diversificação de receitas. A tendência de crescimento da demanda por créditos de carbono de alta integridade, associada à pressão regulatória crescente sobre emissões corporativas em diferentes países, sugere que esse mercado tende a se expandir e se estruturar melhor ao longo da próxima década. Produtores que se posicionarem com antecedência, compreendendo os mecanismos envolvidos e implementando as práticas elegíveis dentro de projetos bem certificados, terão vantagem relevante quando o mercado atingir maior maturidade e liquidez no contexto brasileiro.
Produtores interessados em compreender melhor as oportunidades do mercado de carbono e avaliar o potencial de sua propriedade para geração de créditos podem buscar orientação especializada antes de assumir compromissos em projetos que ainda exigem atenção cuidadosa. A escolha de parceiros certificadores com histórico reconhecido e a verificação rigorosa das metodologias utilizadas representam passos essenciais nesse processo.
