Odair José Mannrich, engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, evidencia, considerando sua experiência, que indústrias de grande porte consomem volumes expressivos de água potável em processos produtivos, gerando efluentes que, após tratamento convencional, são simplesmente descartados em corpos hídricos. A pressão sobre os mananciais e o custo crescente da captação tornam esse modelo insustentável a médio prazo. Tecnologias de tratamento terciário permitem que esses efluentes sejam purificados a ponto de retornar ao processo industrial, reduzindo a dependência de fontes externas e os custos operacionais.
O desafio dos efluentes industriais
Setores como têxtil, alimentício, químico e metalúrgico geram efluentes com cargas poluidoras elevadas, compostos por matéria orgânica, metais pesados, corantes e compostos tóxicos. O tratamento convencional, limitado a etapas primárias e secundárias, remove parte da carga orgânica, mas não atinge a qualidade necessária para o reúso. A água tratada nesse nível ainda contém sais dissolvidos, micropoluentes e turbidez residual que inviabilizam o retorno ao processo produtivo.
A caracterização detalhada do efluente é a etapa que define a viabilidade técnica do reúso, conforme explica Odair José Mannrich. Análises de DQO, DBO, sólidos dissolvidos totais, condutividade e presença de contaminantes específicos orientam a seleção das tecnologias de tratamento terciário adequadas a cada tipo de indústria. Sem essa etapa diagnóstica, o risco de superdimensionamento ou de falha operacional aumenta significativamente, comprometendo o retorno financeiro do projeto e a confiabilidade do sistema.
Tecnologias de tratamento terciário
O tratamento terciário agrega etapas avançadas ao processo convencional, como filtração por membranas, osmose inversa, oxidação avançada e troca iônica. A ultrafiltração remove partículas e macromoléculas, enquanto a osmose inversa elimina sais dissolvidos e micropoluentes, produzindo água com qualidade comparável à de abastecimento público. A oxidação avançada, por sua vez, destrói compostos orgânicos recalcitrantes que resistem aos tratamentos biológicos convencionais.
A combinação de tecnologias depende do perfil do efluente e do uso pretendido para a água recuperada. Nesse sentido, Odair José Mannrich indica que processos que exigem água de alta pureza, como alimentação de caldeiras e torres de resfriamento, demandam osmose inversa precedida de ultrafiltração, enquanto usos menos exigentes, como lavagem de pisos, resfriamento de equipamentos e irrigação de áreas verdes, podem ser atendidos com filtração simples e desinfecção por ultravioleta ou cloração controlada.

Redução da captação e economia operacional
A implantação de sistemas de reúso reduz diretamente o volume de água captado de mananciais superficiais ou subterrâneos, aliviando a pressão sobre os recursos hídricos regionais. A economia na conta de água e nos custos de lançamento de efluentes compensa o investimento em tratamento terciário em prazos que variam de dois a cinco anos, dependendo da escala da operação e da tarifa praticada pela concessionária local.
A redução do volume de efluente lançado também diminui o valor das taxas de fiscalização ambiental e o risco de autuações por descumprimento de padrões de lançamento. O reúso transforma o tratamento de efluentes de centro de custo em vetor de eficiência operacional e sustentabilidade ambiental, gerando ganhos que se estendem além da economia financeira direta e alcançam a reputação corporativa, a competitividade no mercado e a conformidade regulatória.
Integração com a gestão hídrica industrial
A adoção do reúso exige integração entre o sistema de tratamento de efluentes e a gestão hídrica da planta industrial. O balanço hídrico detalhado identifica os pontos de maior consumo e as oportunidades de substituição de água potável por água de reúso, maximizando o retorno do investimento. A setorização dos circuitos de água dentro da fábrica permite direcionar a água recuperada para os usos compatíveis com sua qualidade final.
A automação dos sistemas de tratamento, com sensores online de qualidade da água e controle automático de dosagens, garante a estabilidade do processo e a conformidade com os padrões exigidos por cada aplicação industrial. A manutenção preventiva dos equipamentos de membrana e a limpeza química periódica, conforme destaca Odair José Mannrich, asseguram a vida útil do sistema e a qualidade constante da água produzida, consolidando o reúso como pilar da gestão hídrica responsável.
