Análise técnica aponta downburst no Norte e microburst no Sudoeste; Copel mantém mais de mil equipes em campo e escolas continuam fechadas
Uma sequência de tempestades com granizo e rajadas de vento atingiu o Paraná entre a noite de segunda-feira (21) e a quarta-feira (23), e a Defesa Civil Estadual contabilizou estragos graves em pelo menos 30 municípios. Houve destelhamentos em massa, árvores tombadas sobre ruas e avenidas e centenas de estruturas da rede elétrica destruídas, o que paralisou serviços básicos e colocou forças de segurança em ação em diversas regiões. tribunaprtribunapr
Nas redes sociais, vídeos e relatos de moradores alimentaram a suspeita de que tornados teriam passado pelo Estado. A análise do Simepar, porém, indica que os danos mais severos registrados em Apucarana e Francisco Beltrão não foram provocados por esse fenômeno. A resposta técnica ajuda a entender por que o vento causou tanta destruição e o que diferencia cada tipo de evento. bemparana
O que o Simepar concluiu sobre os ventos
Em Apucarana, no Norte do Estado, o fenômeno foi compatível com um downburst, enquanto em Francisco Beltrão, no Sudoeste, a ocorrência foi classificada como microburst, uma variação concentrada em área menor. Para chegar a essa conclusão, os meteorologistas examinaram imagens de radar, dados de satélite e registros feitos nos locais atingidos. bemparanabemparana
A estação do Simepar em Apucarana registrou uma rajada de 124,9 km/h às 19h15 de segunda-feira, acompanhada de 26 milímetros de chuva em apenas uma hora. Os estragos na cidade se distribuíram predominantemente em uma mesma direção, padrão típico do downburst, e não do movimento giratório de um tornado. Em Francisco Beltrão, onde circulou o vídeo de um carro erguido pelo vento e deixado sobre outro veículo, o instituto identificou um microburst. Paraná teve tornado? Simepar explica fenômenos que causaram estragos e ventos de 124 km/h +2
A diferença entre os fenômenos está na direção do ar. No tornado, o movimento é ascendente e giratório, associado a uma rotação persistente dentro da tempestade; já no downburst, uma forte corrente desce da nuvem, atinge o solo e se espalha horizontalmente. Segundo a Climatempo, uma microexplosão costuma atingir uma área de até cerca de 4 quilômetros e pode causar danos parecidos com os de alguns tornados. O temporal foi provocado pela passagem de uma frente fria sobre um ambiente quente e úmido, e rajadas fortes também foram medidas em Telêmaco Borba (95,4 km/h), no aeroporto do Bacacheri, em Curitiba (86,8 km/h), em Maringá (86,8 km/h) e em Foz do Iguaçu (83,2 km/h). Paraná teve tornado? Simepar explica fenômenos que causaram estragos e ventos de 124 km/h +2
Apucarana concentra o cenário mais grave
Entre as cidades atingidas, Apucarana vive a situação mais complexa: os vendavais de quase 125 km/h quebraram 74 postes da rede elétrica de uma só vez. Mais de 24 horas depois do temporal, cerca de 16,4 mil imóveis ainda estavam sem energia no município, o equivalente a 26% dos clientes locais, e a prefeitura já preparava a documentação para decretar Situação de Emergência. tribunaprtribunapr
A força do vento arrancou árvores, bloqueou vias e danificou estruturas históricas, como a Catedral Basílica Menor Nossa Senhora de Lourdes, e a água chegou a invadir o gabinete do prefeito. Diante do volume de chamados, o Corpo de Bombeiros convocou militares de folga e alunos do curso de formação para montar um posto de comando unificado com o Exército e a prefeitura. Nova Era Newstribunapr
Somente em Apucarana, mais de 620 famílias receberam atendimento emergencial, e foram destinadas mais de 3,2 mil telhas e 100 bobinas de lona para casas e prédios públicos, entre eles o Terminal Urbano e a Catedral. Ao longo da noite de segunda e da madrugada de terça, Defesa Civil e Simepar emitiram 40 alertas, sendo 18 de risco muito alto e 22 de risco alto. Bombeiros e prefeituras também trabalham na desobstrução de rodovias estaduais, com problemas registrados na PR-662, na PR-473 e na PR-158. Paraná enfrenta mais de 24 horas de apagão após temporal que derrubou 282 postes +2
Energia, água e estoques de sangue sob pressão
No pico dos temporais, cerca de 257 mil unidades consumidoras ficaram sem energia no Paraná, e 282 postes caíram ou foram destruídos. A Copel mobilizou 1.065 equipes simultâneas pelo Estado, 96 delas apenas em Apucarana, e já havia religado a maior parte dos clientes, mas aproximadamente 36,6 mil imóveis continuavam sem luz na quarta-feira. Em nota, a companhia explicou que, com ventos acima de 120 km/h, o trabalho exige reconstruir a infraestrutura, com máquinas pesadas, remoção de árvores de grande porte e troca de estruturas e cabos. Paraná enfrenta mais de 24 horas de apagão após temporal que derrubou 282 postes +2
A falta de energia se espalhou para outros serviços essenciais. A Sanepar acionou um plano de emergência com caminhões-pipa para abastecer hospitais e postos de saúde e distribuir copos de água à população nos municípios onde a queda de luz parou estações de bombeamento e captação. tribunapr
Em Apucarana, a interrupção atingiu o Hemonúcleo logo após a tempestade e comprometeu os estoques de sangue, o que levou o Hemocentro Regional de Londrina e o Hospital Universitário (HU-UEL) a fazer uma convocação de emergência de doadores, com prioridade para os tipos O-, O+, AB- e A-. O Hemepar já havia informado que os estoques de O positivo e O negativo estavam baixos no Estado, com risco para urgências, cirurgias, transplantes e tratamentos contínuos. tribunaprTribuna do Vale
Escolas seguem sem aulas presenciais
A Secretaria de Estado da Educação informou que, nesta quinta-feira (24), a maior parte da rede estadual terá aulas normalmente, mas algumas unidades ainda não têm previsão de retorno às atividades presenciais. No Núcleo Regional de Apucarana, quatro colégios seguem fechados por falta de água e, em um dos casos, também de energia: Heitor Cavalcante de Alencar Furtado, Cívico-Militar Carlos Domingues da Silva Polivalente, Professor Izidoro Luiz Ceravolo e o Centro Estadual de Educação Profissional Agrícola Manoel Ribas. bemparanabemparana
A situação em União da Vitória tem outra origem, ligada à cheia do Rio Iguaçu que atinge o Sul do Estado desde a primeira quinzena do mês. O Colégio Estadual Adiles Bordin continua sem previsão de retorno por causa do nível do rio, e outras seis escolas do núcleo servem de abrigo para famílias atingidas pela enchente. Na semana passada, o Corpo de Bombeiros estimou que cerca de duas mil pessoas haviam deixado suas casas no município em razão da cheia. bemparanaNajua
Em Maringá, as aulas foram retomadas na quinta-feira depois da suspensão no período da manhã de quarta, e em Paranaguá as rotas de transporte marítimo escolar, alteradas pelo vento, voltaram ao normal. As equipes dos 32 núcleos regionais seguem monitorando o clima, enquanto o Fundepar faz o levantamento dos danos nas unidades para definir os reparos necessários. Pais e alunos devem acompanhar os canais oficiais de cada colégio para saber a data de retorno. bemparanabemparana
Fontes:
- Bem Paraná: Paraná teve tornado? Simepar explica fenômenos que causaram estragos e ventos de 124 km/h
- Tribuna do Paraná: Paraná enfrenta mais de 24 horas de apagão após temporal que derrubou 282 postes
- Bem Paraná: Pelo menos 11 escolas estaduais do Paraná seguem sem aulas presenciais por causa das chuvas
- AN Notícias: Defesa Civil do Paraná registra estragos em 30 municípios
- Nova Era News: Temporal causa destruição e deixa rastro de prejuízos em Apucarana
- Tribuna do Vale: Coluna da ADI pelo Paraná, 23 de setembro
- Najuá: Cheia do Rio Iguaçu obriga cerca de 2 mil pessoas a deixarem suas casas em União da Vitória
