Conferência no Campus da Indústria da Fiep reuniu indústria, academia e reguladores nos dias 22 e 23 de setembro; programação incluiu digitalização das redes, mobilidade e novas fontes renováveis
Curitiba recebeu nos dias 22 e 23 de setembro a Smart Energy 2026, Conferência Internacional de Energias Inteligentes, realizada no Campus da Indústria do Sistema Fiep. Promovido pela Federação das Indústrias do Paraná e organizado pela Rede Paraná Tecnologia e Metrologia, o encontro chegou à décima edição com a proposta de ligar as demandas do setor produtivo às soluções desenvolvidas nas universidades e às políticas públicas, com foco no desenvolvimento sustentável da Região Sul.
Paralelamente à conferência ocorreram a Feira Temática e o Fórum de Eficiência Energética. A pauta desta edição combinou novas tecnologias, infraestrutura, mercado, fontes renováveis, financiamento e sustentabilidade, temas que ganham peso num Estado cuja indústria depende de fornecimento estável de energia para crescer.
Redes elétricas digitais e conectividade no primeiro dia
A abertura, na terça-feira (22), foi programada com a palestra magna “Energia e Desenvolvimento: os desafios para o futuro”, seguida de debates sobre competitividade regional e segurança do sistema. Segundo o curador da conferência, Richardson Péricles Barreto, a programação foi desenhada para tratar de fontes renováveis, mercado e regulação, digitalização e novos mecanismos de financiamento.
Entre os destaques do primeiro dia estava o painel sobre infraestrutura digital e conectividade, voltado aos impactos das novas tecnologias na operação e na modernização das redes elétricas. As discussões também incluíram as mudanças de mercado provocadas pela expansão da geração a partir de fontes sustentáveis.
Outro ponto da agenda foi o painel com lideranças dos três estados do Sul para discutir o planejamento estratégico da energia. Para o coordenador do Conselho Temático de Energia da Fiep, Rui Londero Benetti, a energia é um pilar de competitividade regional; já o Fórum de Eficiência Energética previa abordar as atualizações do Programa de Eficiência Energética da Aneel e temas ligados à Indústria 4.0, ou seja, à digitalização das fábricas.
Biometano na rede de gás canalizado do Paraná
O segundo dia concentrou os debates em financiamento, mobilidade e novos combustíveis. Um dos painéis tratou dos avanços regulatórios, técnicos e de mercado necessários para ampliar o uso do biometano nas redes de distribuição de gás canalizado, tema de interesse direto do agronegócio paranaense, grande gerador de resíduos orgânicos.
A mesa foi coordenada por Thiago Olinda, coordenador de Biocombustíveis, Gás Natural e Hidrogênio Renovável da Superintendência-Geral de Gestão Energética do Paraná (Supen). Participaram Alexandre Camacho, da ANP, Rejane Maria Schirr Scolari, da Agepar, e Eudis Furtado, da Compagas, reunindo em um mesmo debate a regulação nacional, a agência estadual e a distribuidora que opera a rede no Paraná.
Para Olinda, maturidade regulatória e investimento contínuo em infraestrutura canalizada são os elementos que podem transformar o potencial de produção do agronegócio regional em mercado consumidor efetivo. A integração entre reguladores e distribuidoras busca definir padrões de qualidade e regras claras que estimulem investimentos privados em dutos e estações de compressão.
Da combustão à eletrificação, com crédito para inovação
No painel sobre eficiência energética e mobilidade, mediado pelo professor Luiz Ramos, da UFPR e pesquisador do Tecpar, a discussão partiu da ideia de que a mobilidade sustentável depende de todo o ciclo da energia, da geração da fonte primária até o movimento das rodas. Christian Michael Wahnfried, especialista em combustíveis e emissões da Bosch, levou ao debate como eletrônica embarcada, gerenciamento térmico e injeção direta permitem cortar emissões de poluentes em motores atuais.
O executivo Gilles-Laurent Grimberg, da Actioil, defendeu que soluções elétricas, híbridas e movidas a biocombustíveis sejam tratadas como alternativas complementares, aplicadas conforme a vocação e a infraestrutura de cada região. A visão reforça o peso dos modelos híbridos flex como transição tecnológica para mercados como o brasileiro.
Na frente do financiamento, a sessão sobre fomento à transição energética contou com a Finep, representada pelo gestor Paulo Resende, que apresentou tanto o crédito reembolsável com taxas subsidiadas quanto chamadas públicas de subvenção econômica. A agência também atua em cooperação com instituições do Sul, como o BRDE e a Fomento Paraná, o que interessa diretamente a startups e indústrias paranaenses que buscam recursos para projetos de baixo carbono.
Itaipu, hidrogênio verde e reforço na rede da Grande Curitiba
A Itaipu Binacional apresentou sua atuação em tecnologias sustentáveis por meio do superintendente de Energias Renováveis, Rogério Meneghetti. A empresa mantém uma planta-piloto dedicada à produção e purificação de biogás, biometano e hidrogênio de baixo carbono, e o programa Itaipu Mais que Energia apoia a instalação de biodigestores em propriedades da agricultura familiar e em cooperativas, funcionando também como ambiente de testes para startups.
O biometano gerado a partir de resíduos orgânicos e da suinocultura abastece veículos da própria usina e centrais de geração descentralizadas no Paraná. Em paralelo, a Itaipu pesquisa a produção de hidrogênio verde combinada ao carbono do biogás para obter um petróleo sintético, matéria-prima do combustível sustentável de aviação (SAF), além de estudar o armazenamento de hidrogênio em estado sólido.
As discussões ocorreram na mesma semana em que o setor elétrico paranaense ganhou uma sinalização concreta de investimento. A Aneel aprovou o edital de um leilão de transmissão com investimentos previstos de R$ 8,9 bilhões, e o Paraná está entre os sete estados contemplados, com obras de reforço no sistema da Região Metropolitana de Curitiba. O leilão está marcado para 30 de outubro, com assinatura dos contratos prevista para fevereiro de 2027. A organização da Smart Energy pretende manter o debate ativo ao longo do ano, com comitês temáticos e produção de conteúdo, transformando a conferência em uma plataforma permanente.
Fontes:
- Brasil Inovador: Smart Energy 2026 debate financiamento, mobilidade sustentável e biocombustíveis em Curitiba
- BandNews FM Curitiba: Curitiba sedia Smart Energy 2026 para debater transição energética
- Bem Paraná: Smart Energy reúne empresas em Curitiba para discutir energias inteligentes
- Portal Energia Limpa: Curitiba sedia conferência internacional de energias inteligentes
- BRA 1: Curitiba recebe grande encontro sobre energia limpa e inteligente
- Agência Logística: Smart Energy 2026 reúne especialistas nacionais e internacionais
- O Paraná: Confira as últimas notícias do Paraná: leilão de energia, ranking de eficiência e patrimônio mundial
