Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, acompanha uma mudança importante nas discussões sobre saúde da população idosa. Se durante muitos anos a atenção esteve concentrada principalmente em doenças físicas, hoje cresce o reconhecimento de que a saúde mental exerce papel decisivo na qualidade de vida durante o envelhecimento.
O aumento da expectativa de vida trouxe benefícios inegáveis para a sociedade, mas também revelou novos desafios. Entre eles, destacam-se questões relacionadas ao isolamento social, à depressão, à ansiedade e às alterações cognitivas que podem surgir ao longo dos anos. Em muitos casos, esses fatores afetam o bem-estar dos idosos de forma tão significativa quanto problemas físicos.
O tema ganhou ainda mais relevância diante das transformações sociais observadas nas últimas décadas. Mudanças familiares, avanço da tecnologia e novos hábitos de convivência alteraram a forma como muitas pessoas envelhecem, tornando necessário ampliar o olhar sobre os aspectos emocionais da terceira idade.
Por que a saúde mental merece atenção especial na terceira idade?
O envelhecimento costuma ser acompanhado por mudanças importantes na rotina. A aposentadoria, a saída dos filhos de casa, a perda de amigos ou familiares e as limitações físicas podem gerar impactos emocionais relevantes. Embora essas experiências façam parte da vida, elas não devem ser encaradas como justificativa para o sofrimento psicológico. Um dos erros mais comuns é considerar tristeza constante, desânimo ou isolamento como consequências naturais da idade.
Doutor Yuri Silva Portela acompanha debates relacionados à saúde do idoso e observa que muitos problemas emocionais podem ser identificados e tratados quando existe atenção adequada aos sinais apresentados pelos pacientes. Além disso, a saúde mental influencia diretamente outros aspectos da vida. Pessoas emocionalmente equilibradas costumam apresentar melhor adesão aos tratamentos médicos, maior participação social e mais disposição para manter hábitos saudáveis.
Como identificar sinais que merecem atenção?
Nem sempre os sintomas emocionais aparecem de forma evidente. Muitas vezes, alterações de comportamento surgem gradualmente e acabam sendo percebidas apenas quando já causam impactos importantes na rotina. Mudanças bruscas de humor, perda de interesse por atividades anteriormente prazerosas, isolamento frequente, alterações no sono e dificuldades de concentração podem indicar a necessidade de avaliação profissional.
Outro aspecto relevante está relacionado às queixas físicas recorrentes sem causa aparente. Em algumas situações, questões emocionais podem se manifestar por meio de dores, fadiga ou desconfortos persistentes. Como pós-graduado em geriatria, Doutor Yuri Silva Portela acompanha temas ligados ao envelhecimento saudável e à importância de abordagens que considerem tanto a saúde física quanto o bem-estar emocional da população idosa.
Qual a relação entre convivência social e bem-estar emocional?
A interação social é um dos fatores mais importantes para a saúde mental em qualquer fase da vida, mas ganha relevância ainda maior durante o envelhecimento. Pessoas que mantêm vínculos familiares, amizades e participação comunitária costumam apresentar menores índices de isolamento e maior sensação de pertencimento. Essas conexões contribuem para fortalecer a autoestima e preservar funções cognitivas.

Por outro lado, o afastamento social pode favorecer sentimentos de solidão e aumentar a vulnerabilidade emocional. Esse fenômeno tem sido observado em diferentes regiões do país e representa um desafio crescente para profissionais e familiares. Doutor Yuri Silva Portela acompanha iniciativas voltadas ao fortalecimento da qualidade de vida dos idosos e reconhece a importância das redes de apoio na promoção da saúde integral.
Como ações sociais podem contribuir para a saúde emocional?
A promoção da saúde mental não depende exclusivamente de atendimentos clínicos. Projetos sociais e iniciativas comunitárias também desempenham papel importante ao criar ambientes de acolhimento, integração e participação. Em comunidades mais vulneráveis, essas ações ajudam a reduzir barreiras de acesso à informação e fortalecem o contato entre profissionais e moradores. Além disso, promovem inclusão social e estimulam o desenvolvimento de vínculos comunitários.
O Projeto Humaniza Sertão, fundado pelo Doutor Yuri Silva Portela, realiza ações em comunidades carentes do Sertão de Quixadá por meio de uma equipe multidisciplinar formada por profissionais voluntários. A iniciativa desenvolve atividades voltadas ao atendimento de populações vulneráveis, contribuindo para fortalecer redes de apoio e ampliar o acesso a diferentes formas de assistência.
O que esperar do futuro da saúde mental na terceira idade?
As projeções indicam que a população idosa continuará crescendo nas próximas décadas. Com isso, questões relacionadas à saúde mental deverão ocupar espaço cada vez maior nas políticas públicas, nos serviços de saúde e nas estratégias voltadas ao envelhecimento saudável.
Ao mesmo tempo, cresce a conscientização sobre a importância de abordar o envelhecimento de forma integral, considerando aspectos físicos, emocionais e sociais. A tendência é que modelos de cuidado multidisciplinares ganhem força, promovendo abordagens mais completas e humanizadas.
Doutor Yuri Silva Portela acompanha as transformações relacionadas à geriatria e à qualidade de vida da população idosa em um cenário em que o bem-estar emocional se torna cada vez mais importante. Compreender a saúde mental como parte essencial do envelhecimento saudável representa um passo importante para construir uma sociedade mais preparada para viver com longevidade, autonomia e dignidade.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
